Saiba um pouco mais sobre fitoterapia

Saiba um pouco mais sobre fitoterapia

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Medicina Herbal           

O termo “Medicina Herbal” aplica-se geralmente à arte de usar as plantas para tratar doenças. Esta tradição data do início do século XVII com médicos como Culpepper. Embora eficaz a medicina herbal era usada nessa época maioritariamente de forma empírica.

Fitoterapia

Nos últimos 50 anos, a ciência moderna deu-nos um conhecimento mais profundo, de como o corpo funciona e com os métodos mais sofisticados de imagem e investigação disponíveis, médicos e cientistas tem agora um conhecimento maior da fisiologia do corpo humano.

Este acontecimento deu credibilidade à medicina à base de plantas e apesar dos avanços na área farmacêutica, a utilização das plantas não foi colocada de lado. Pelo contrário, a sua utilização, nos últimos quinze anos, vem sendo cada vez mais popular. Enquanto a utilização no passado era feita na maioria das vezes de forma empírica, podemos hoje em dia identificar os componentes activos de cada planta e com a nova compreensão da fisiologia humana,  explicar porque e como estas plantas funcionam. Esta aplicação da ciência moderna à medicina à base de plantas foi denominada Fitoterapia.

Fitoterapia é a ciência que utiliza as plantas para manter a saúde e o bem-estar e influenciar na doença. É a utilização moderna da “Traditional Western Medical  Herbalism”. O termo foi introduzido pelo médico francês, Henri Leclerc  nos anos 50. Ele era um médico proeminente que usava plantas na prática clínica e publicou numerosos ensaios que culminaram com a publicação  de seu trabalho Sumário de Fitoterapia. Foi o primeiro registo do termo Fitoterapia, adoptado rapidamente pelos alemães que o usavam para descrever a aplicação de plantas medicinais para tratar aqueles que estavam doentes.

A medicina herbal é a arte de usar plantas para tratar a doença

Fitoterapia é a aplicação da ciência moderna à medicina herbal

Na Europa o termo Fitoterapia é usado para diferenciar-se entre esta ciência e a arte do herbalismo tradicional. É uma indicação de que o uso de plantas medicinais é agora um assunto científico, aberto aos controlos científicos e testes, tais como HPLC (Cromatografia Liquida de Alta Pressão) e TLC (Cromatografia em Camada Fina).

Durante séculos, os herbalistas souberam empiricamente as plantas correctas a serem usadas para doenças. Por exemplo, a Echinacea é usada há muito tempo para as febres e a Ginkgo biloba para a memória. Com a ciência Fitoterapia e através dos testes científicos disponíveis, é agora possível isolar muitos dos componentes activos e dos constituintes destas plantas, que nos ajuda por sua vez a explicar a sua acção. Pode-se mostrar que os componentes activos da Echinacea (echinoside e echinacein) estimulam  a produção dos linfócitos e macrófagos  e assim estimulam o sistema imunitário; e a Ginkgo tem acção vasodilatadora (vaso=artéria; dilatador=abertura) das artérias, devido aos constituintes que foram denominados gingkolidos. A Fitoterapia pode desta maneira ajudar, através da moderna fisiologia, a explicar a maneira como as plantas actuam no corpo.

Isto é bem ilustrado comparando as monografias sobre a Echinacea, publicadas pela Associação Britânica de Medicina Herbal e na sua correspondente na Alemã.

Uma monografia dá uma visão geral, seja ela uma planta ou uma droga sintética .Fornece informações importantes sobre como e porque algo actua e fornece instruções para identificação e determinação da qualidade através de ensaios. As monografias são padrões de referência reconhecidos internacionalmente.

Na Farmacopeia Herbal Britânica a acção da Echinacea está inscrita como “imunoestimulante” Na sua correspondente Alemã, Monografia da Comissão E, a acção da Echinacea é descrita como “aumenta a produção de glóbulos brancos activando os fagócitos”.

Comparando as duas podemos ver que, embora as duas monografias concluam acção semelhante, a monografia alemã reflecte uma grande compreensão sobre que forma a planta trabalha dentro do contexto da fisiologia moderna. Isto é Fitoterapia.

Embora a Fitoterapia use a medicina moderna para ajudar a compreender a acção das plantas, deve-se enfatizar que  não é a intenção dos Fitoterapeutas isolar e purificar os componentes activos, para uso clínico. Esta é a premissa da indústria farmacêutica. Muitas das drogas sintéticas usadas hoje são baseados em constituintes de plantas. Desde meados da década de 80 tem havido um ressurgimento no interesse da exploração de substâncias  naturais, assim como a descoberta de drogas para novos compostos.

Existem dois caminhos habitualmente utilizados pelas companhias farmacêuticas: o caminho  etnobotânico e o caminho de selecção aleatória. A Etnobotanica examina plantas que são usadas na medicina étnica e frequentemente confia em fortes relacionamentos entre o investigador do mundo Ocidental e o fornecedor de informação no mundo em desenvolvimento. A selecção aleatória envolve milhares de constituintes de plantas que são  isolados e, através de receptores especiais, projectados para imitar uma situação ou um processo de  doença no corpo até que um “efeito” seja produzido. Em ambos, frequentemente, os resultados de rendimento são eventualmente usados para sintetizar um único princípio activo obtido de uma planta  que pode ser produzido em larga escala.

A Fitoterapia acredita que a planta inteira é o princípio activo com muitos constituintes trabalhando em sinergia. Isolando componentes individuais, alguns dos benefícios terapêuticos da planta serão perdidos e as margens de segurança ameaçadas.

O lugar da fitoterapia na medicina moderna

É necessário definir onde a Fitoterapia pode ajudar na manutenção da saúde. Embora a medicina moderna tenha as suas falhas, é preciso dizer  que somos incapazes de viver sem ela. Um bebé nasce com 30 semanas de gestação e é mantido vivo pela medicina moderna; uma meningite meningocócita poderia ser fatal se não fossem os antibióticos.

No entanto, existem muitos exemplos na medicina moderna onde a prevenção é melhor do que a cura e  muitas condições em que medicamentos de síntese química modernos são incapazes de influenciar. É onde a medicina complementar tende a entrar, e com ela, a disciplina de Fitoterapia.

O Fitoterapeuta germânico, Rudolf Weiss, sugere a seguinte sequência de eventos para os médicos da actualidade:

  • Primeiro a palavra
  • então a planta medicinal
  • depois o principal agente terapêutico científico e finalmente o bisturi.

 

Esta sequência é interessante, visto que se coloca à frente a mais importante regra da prática clínica. “A palavra”, dita de maneira apropriada, dando positivismo, esperança, aconselhamento e informação, esta é a principal habilidade terapêutica. Uma habilidade que os médicos ganham com a experiência, embora infelizmente, nem sempre atingida na sua plenitude.

Vem em seguida o lugar da planta e a Fitoterapia influencia a função do corpo e tenta normalizar algum desequilíbrio. Se isto falha, então os medicamentos de síntese deverão ser introduzidos.

Este conceito já é extensamente utilizado na Alemanha. Por exemplo, um médico na Alemanha tratando uma hipertensão ligeira, usa primeiramente uma planta medicinal. Isto explica porque o Crataegus é a planta mais prescrita na Alemanha, usado como um agente cardíaco. Quando a medicação à base de plantas, não baixa a tensão arterial, o médico então introduz os medicamentos de síntese. É também notório que existem muitas preparações na Alemanha que contém ambos, plantas e substâncias de síntese química, num mesmo medicamento.

Embora a Medicina Moderna tenha sido dominada pela Síntese Química nos últimos 50 anos, há agora uma grande compreensão por parte de médicos, farmacêuticos, pacientes e consumidores de que as drogas sintéticas não conseguem as respostas para todos os nossos problemas de saúde. Além disso, a filosofia e técnicas da Medicina, em conjunto com a incidência de efeitos não desejados dos medicamentos de síntese, conduziu a uma reavaliação dos métodos actuais de tratamento utilizados na Medicina Moderna.

Ao mesmo tempo, precisamos fazer um balanço e as disciplinas designadas por: “Medicina Holística”, “Medicina Complementar” e “Medicina Alternativa”, não tem as respostas para TODOS os nossos problemas de saúde.

Para aqueles que estão preocupados com a saúde, não é surpresa que exista um aumento no interesse na Medicina Complementar e na Fitoterapia em todo a mundo. A Medicina Moderna engloba todas as novas áreas. Existe o reconhecimento (até pelas principais companhias farmacêuticas) de que as plantas são uma parte importante nos cuidados modernos de saúde.

A Fitoterapia encontra o seu nicho em condições de tratamento onde a Síntese Química é considerada excessiva ou talvez prove ser ineficaz.

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